Cinco dicas para andar de bicicleta nas grandes cidades

Veja - Guilherme Venaglia - 10/07/2017 |

A ampliação de ciclovias e o crescimento do número de brasileiros que adotaram a bicicleta como meio de transporte foi o grande incentivo para que o professor e escritor Alex Gomes, de 38 anos, começasse uma empreitada, concretizada com o lançamento do Guia do Ciclista Urbano (Editora Stortecci, 2017, 77 p.). Após anos participando de projetos de mobilidade urbana e grupos de ciclistas e cicloativistas, Gomes percebeu uma carência: os novos usuários desconheciam uma série de técnicas que facilitam o traslado sobre duas rodas na cidade e que estimularam a adoção definitiva da bicicleta por usuários mais experientes.

“O Guia é lançado nesse sentido, sistematizando o conhecimento de pessoas que estão habituadas a pedalar em grandes cidades e descobriram algumas formas de melhorar essa rotina”, conta. O escritor ressalta que as ciclovias foram importantes avanços, mas que não acredita que foram suficientes ainda para mudar a mentalidade dos motoristas. “Apesar dos problemas que as ciclovias têm, como conservação e pintura, é infinitamente melhor e mais seguro circular por elas. Converso com vários amigos meus, que acreditam que o trânsito melhorou, mas eu questiono: será que são os motoristas que estão mais amistosos ou os ciclistas que estão em melhores condições de sobrevivência?”

São essas técnicas e espertezas para pedalar com mais segurança e tranquilidade que justificaram a criação do Guia do Ciclista Urbano. Ao divulgá-las, a obra pretende, ao longo de cerca de oitenta páginas, completadas com tutoriais e ilustrações, estimular mais pessoas a se aventurarem sob duas rodas. “Eu sempre quis fazer um trabalho voltado para os iniciantes e agora foi possível colocar de pé o projeto”, concluiu o escritor. A partir de muitas das sugestões presentes no livro, Alex Gomes resumiu cinco dicas essenciais para os novatos no ciclismo:

1 – Invista na bicicleta ideal

“Vamos supor que a pessoa pegue a bicicleta apenas para deslocamentos locais, ela pode apostar em uma dobrável, para usar intermodalidades, pegando um ônibus ou um metrô, por exemplo. Se ela vai usar para viagens mais longas, é boa uma mountain bike, que serve também para a cidade, mas permite usar em terrenos irregulares. Se o uso é principalmente para lazer, pode-se optar uma bicicleta urbana, que é um pouco mais vertical. Ela deve escolher também considerando as suas próprias condições físicas, anatômicas. Altura, peso. Se tem algum problema de mobilidade, é preferível uma bicicleta com mais marchas, eventualmente com amortecimento, no caso de pessoas obesas. Pessoas mais altas precisam de um quadro maior, proporções maiores. A mesma coisa com pessoas mais baixas, que precisam de um quadro menor”.

2 – Saiba ajustar a sua bicicleta

“Geralmente, no pneu, as informações de calibragem estão próximas a uma sigla, ‘PSI’. É uma faixa de números ao lado dessa inscrição, que, em português, significa libra por polegada quadrada. Em um exemplo, a inscrição ’30-50 psi’ em um pneu indica o intervalo em que este deve ser calibrado, ao invés de querer adotar um padrão universal, que não se aplica e pode fazer com que as pessoas circulem com as rodas murchas. Também é muito importante a pessoa ajustar o selim [o assento] para a altura correta, pensando na altura das pernas e não do corpo. Duas pessoas com a mesma altura podem ter tamanhos de perna diferentes. Com isso, você precisa medir a altura do cavalo e subtrair dez centímetros, para saber qual é a distância que o selim precisa estar do estamento central da bicicleta”.

3 – Programe bem suas rotas

“O principal ponto, no que diz respeito a rotas, é trafegar onde se sentir mais seguro e confortável. É uma boa dica aproveitar um domingo de manhã, por exemplo, para experimentar essa rota, ver em que parte tem problemas, se é confortável. Aí é possível ir estudando, caso tenha muitas subidas, alternativas dentro da própria rota ou em outras que não tenham. O ciclista na cidade é um pouco conquistador, porque ele vai percorrendo as quadras, os bairros e vai se apropriando, conquistando e demarcando território”

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