Ciclista carioca cruza a África em bike de bambu no projeto Roda Mundo

O Globo - Tatiana Furtado - 01/09/2017

Por amor à Dulcinéia, Dom Quixote enfrenta o mundo e seus moinhos. Não à toa, o publicitário Ricardo Martins homenageou a sua bicicleta de bambu com o nome da amada de De La Mancha na epopeia particular pelos continentes do planeta. Ao contrário do herói criado pelo espanhol Miguel de Cervantes, que nunca conheceu de fato aquela que o inspirou, o brasileiro tem na versão tupiniquim da heroína a grande companheira. Com ela, já pedalou mais de 14 mil quilômetros, e que o permitiu cruzar toda a África, da Cidade do Cabo, na África do Sul, ao Cairo, no Egito. E assim encerrar a primeira parte do projeto "Roda Mundo" após um ano e quatro meses da sua partida do Rio de Janeiro.

- Sou um leitor compulsivo. Todas as minhas bicicletas sempre tiveram nomes de personagens de livros que me marcaram. Dulcinéia é a donzela do Dom Quixote, um dos meus personagens favoritos. Um viajante que mais erra do que acerta, mas segue, errante e heroico. É meu alter-ego - brinca o publicitário e ciclista, que, fez a volta pela América do Sul a bordo de Capitu (personagem de Dom Casmurro, de Machado de Assis), que foi roubada.

Ricardo também tem suas histórias quixotescas a contar. Ao fim do projeto, que não tem data certa para terminar, ele vai escrever um livro nos mesmos moldes do "Roda América", que fez de 2007 a 2011. Antes de pôr a experiência nas páginas, ele vai transmiti-la no TEDx, na Alemanha, no dia 23. Desde as questões de mobilidade urbana - ele também é especializado em planejamento urbano - ao contato com uma cultura totalmente distinta, sem julgamento de valores. E, claro, os perrengues.

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