UM ROLÊ DE BIKE PELA HISTÓRIA DA MULHER

Revista TRIP - Giulia Garcia - 21/09/2017 |

De longas e volumosas saias a calças ao direito ao voto. A emancipação feminina, desde a época das sufragistas, teve o interessante auxílio de um instrumento muito cotidiano: a bicicleta.  Durante o século 19, era impossível para uma mulher andar na romântica penny-farthing. O modelo, conhecido dos filmes, tinha roda dianteira maior, aumentando o risco das quedas. O que já era difícil para os homens, pela instabilidade, era ainda pior para as mulheres, por conta de suas roupas volumosas.

O desenvolvimento de um modelo mais moderno, por John Kemp Starley, em 1885, possibilitou alguma mudança nessa situação. As mulheres puderam começar a pedalar e, assim, iniciou-se uma mudança no guarda-roupa feminino — os vestidos desconfortáveis, que restringiam movimentos, começaram a ser substituídos por calças.

E as roupas nem eram a única dificuldade. As mulheres enfrentavam julgamentos e olhares; andar de bicicleta era uma atitude vista como depravação, acreditavam que o atrito com o assento traria prazer à mulher e, mesmo médicos, condenavam a atividade afirmando que traria danos à saúde feminina. A revolução de costumes resistiu e gerou não só uma mudança de vestuário e aumento da mobilidade, mas também uma consciência de autonomia e unidade que auxiliou na construção do movimento sufragista.

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